segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sentimentos



Sempre escrevi sentimentos profundos, coisas que eu sentia eram sempre complexas e mesmo com a dor ou com o medo eu sempre me orgulhei dessa intensidade centrada, dessa capacidade de sentir algo profundo que era tão sério, eu era tão nova e me fortaleci tão rápido e cresci pra enfrentar monstros que uma menina de 12 anos jamais deveria ser capaz de enfrentar, eu enfrentei e ganhei de todos os monstros dentro do armário e debaixo da cama, eu venci nas terras e contruí meu reino com minhas próprias mãos sem a ajuda de ninguém e não foi nada fácil, mas eu nunca achei que fosse chegar um dia onde eu me tornaria apenas uma menina de novo, uma adolescente apaixonada outra vez, e quando me tornei sabia que jamais seria do tipo Encantada, não poderia ser uma princesa da Disney, porque eu já era uma rainha, sabia que poderia amar sem toda aquela dificuldade sem toda a parte ruim... E aqui estou eu enciumada, irritada, temendo, temendo perdê-lo, aqui estou eu irritada quando ele me deixa por algum compromisso como uma menina comum mimada, estou com medo de algo que pode ser mais fácil, porém mais difícil do que qualquer monstro que enfrentei até agora.
Eu serei uma adolescente e estou com tanto medo por isso, o que faço de mim com um amor exorbitante? Como reajo aos sentimentos novos e a essa vontade de chorar de felicidade toda vez que ele me toca? Estou vivendo e acho que enfrentar outro dragão seria mais fácil. Estou largando minhas terras e meus vestidos de seda pra viver como uma adolescente que não sabe o que fazer quando se da conta de que tem um namorado, a realidade é tão controversa, como lidar com esses sentimentos bobos, frágeis e simples aos quais não estou acostumada? Como ser apenas uma menina boba com pensamentos de meninas bobas, como sentir ciumes, se sentir irritada porque ele vai pra faculdade, como posso eu ter sentimentos tão superficiais que se vão tão rapidamente? Não estou acostumada a ser apenas uma garota e não sei direito o que fazer, sei que estou vivendo e não está sendo ruim, talvez as coisas não precisem ser ruins.

Megan.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Noite de Baile




Ela estava de vermelho, o vestido simples de alguém que não quer aparecer, seu cabelo desmanchando cachinhos, ele com seu cabelo dourado sorriu branco, em preto, ela sorriu em branca luz que vinha de seus olhos. Os deuses sabiam o quanto ela o amava, e haviam de imaginar o quanto ele a amava. Os dois dançaram pela fria madrugada, isso faz tanto tempo, eles rodaram. Não haviam de conversar, pois a respiração que pesava já dizia tudo sobre aquele amor, e a eletricidade que rodava com eles fazia-se sentir nos ossos, um amor que a Lua invejou, que as estrelas costuraram e marcaram para sempre em suas explosões dizendo através do universo bege, como a  pele macia que ele tocava, que eles se amavam. O Sol não teve a oportunidade de ver e se arrependeu até o fim das eras por ter perdido, pois não havia nada ao redor que não sentisse que nada mais importava e que aquele amor perduraria tanto quanto a ignorância ou a ganancia, perduraria tanto quanto a fome ou a esperança, e os dois... Eles não ligavam pra nada, estavam juntos dançando aquela musica suave que tocava, um amor tão puro, tão suavemente encantado, como em um sonho que alguém um dia sonhou. O baile não chegaria ao fim, não para aqueles dois que dançariam eternamente juntos um dia.
Ela estava de vermelho e não estava sendo notada, seu cabelo se alisava com os cachos indo embora, ele com seu cabelo dourado a beijou ternamente branco, em preto, das lagrimas de sua amada, que ninguém além dele notou. Os deuses sabiam o quanto ela sofria e haviam de imaginar que ele também o fazia, a Lua chorou e as estrelas o retrataram no céu para que ela nunca se esquecesse, o Sol marcou em seus poemas que o amor que Shakespeare escreveu jamais chegaria aos pés daquele amor do qual somente havia ouvido falar, que aquela dança eternamente deles, com seus passos e ares presos na doce melodia encantada de amor, embalaria aqueles que se lembrassem de amar como o casal amou e que a garota de vermelho e o garoto de preto dançaria de novo um dia.

Megan.