sábado, 7 de janeiro de 2017

Almas vazias


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Batons escondem depressões que talvez os penteados não escondam, existe a necessidade de colocarem roupas extremamente curtas, justas, coladas como uma segunda pele.  Mostra-se os ombros  e as pernas, alguns vestem-se de maneira confortável ainda que sedutora e induzem os outros a procurarem o sentido de roupas tão justas e curtas, há também sobre a grande camada de maquiagem uma insegurança que transparece facilmente que não foi totalmente banida ou deixada em sua meninice, há um desespero por vida, por sugar cada segundo disso, há esquentas, preliminares, biritas antes da hora H, a  hora H que é superestimada por gente que não sabe o que quer e superestima a vida atrás de sugá-la, talvez se enchendo de supérfluos você se sinta satisfeito com o tanto de vida que suga e ao morrer acredite mesmo que teve uma boa vida e que curtiu cada etapa dela, a infância inocentemente e a adolescência despreocupadamente. Eles engolem garrafas e garrafas de um liquido ardente, fogueando suas gargantas e inebriando suas mentes até não discernirem mais uma coisa da outra, há uma necessidade de esquecer suas preocupações que não condiz com a adolescência despreocupada que afirmarão no futuro, as inseguranças tão fúteis se juram fúteis na adulteza também, até que se entende que a adulteza não é diferente da adolescência, e que as inseguranças fúteis são as mesmas. Ainda assim não consigo entender o motivo de roupas tão justas e curtas, batons tão vermelhos, perfumes tão fortes, olhos tão vermelhos, gargantas tão ardentes, copos vazios assim como os corpos de almas sujas; viver a vida ardentemente é algo que me parece no mínimo sensacional, mas perder a vida a gastando em futilidade me parece simplesmente banal, a necessidade que eles têm de se mostrar, de se consumir, de se esgotar e se acabarem em esgotos que se tornam suas próprias mentes é algo inútil, se ludibriam pela a ideia de que estão vivendo suas vidas e eu sei como isso parece mesmo ser um modo de viver ardentemente, eu já fui uma dessas pessoas, já traguei fumaças e beijei bocas tão “esgóticas” quanto a minha, sem saber seus nomes ou lembrar seus rostos por embriagues demais, já esmaguei a mim mesma para debaixo de musicas excruciantemente altas e odores estranhos, por queimações constantes na minha garganta. Isso certamente não pode ser viver a vida, a necessidade de álcool não acompanha a felicidade e a necessidade de felicidade com certeza não é satisfeita pelo álcool, no dia seguinte a embriagues da dança que é sair num sábado a noite, há o entorpecimento, você não sente a dor de ser você porque não consegue ser você ou sentir qualquer coisa que não enjoo, nojo e a dor corporal que você insiste em jurar que é maior que a dor que sente ao encostar a cabeça no travesseiro, e quando isso passa você sente que precisa encontrar a alegria novamente, sendo que sua única alegria é e sempre será esse esgoto sem sentido, este ciclo interminável de tentar saciar uma fome inutilmente e da forma mais suja. Não digo que sei qual é a forma certa e nem que esta totalmente errada, eu só não posso crer que as pessoas realmente pensem que esta é a única forma de ser. Os cérebros são cegados, as roupas deixam um frio que o fogo do álcool não tira e acredite ou não tudo parece ser de um jeito que não é combinando bem com essa falsa satisfação.