quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Eu não quero nada.

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Minha mãe diz que preciso sair mais, passear mais, ir a mais lugares e ver minhas amigas, ela também quer que eu fique com ela... Meu namorado quer que eu ande mais, corra mais, me exercite, ele quer que eu pare de pular refeições, nós passamos tão pouco tempo juntos... Minha psicologa quer que eu saia mais, que eu viva mais que eu tenha meus 20 anos, que eu haja como tal, que saia com as meninas da faculdade, que viaje com elas, ela quer que eu veja mais minhas amigas e descanse minha cabeça, respire e recarregue as minhas energias, ela também quer que eu vá lá com mais frequência...
As pessoas dizem pra mim que preciso sair, que preciso ir até o mercado comprar comida, que preciso fazer todas as refeições, que devo continuar a ler e a escrever, que devo rir e sair para ir no barzinho de vez em quando com o povo da faculdade, me dizem que devo ter 20 anos, quando eu disse que não conseguia eles me imploraram para lutar com mais força, para me esforçar mais, para tentar mais e eu sei que eles pedem isso com todo o coração e sei também que quando disse que não conseguia não me expressei direito... A verdade é que eu não quero.
Eu não quero sair, não quero comer, não quero ir a bares, baladas, não quero conhecer melhor o povo da faculdade (e mesmo quem eu quero não estaria interessada em me conhecer também) eu não quero lutar, eu não quero tentar com mais força, eu não quero sair de casa e não quero sair da cama, no banho eu choro, e me lavo como um movimento involuntário algo que não quero fazer, algo que não consigo mais fazer, não consigo mais socializar involuntariamente, e na verdade a verdade mesmo é que eu não quero, eu me sinto cansada, esgotada, eu não quero mais tentar.
Eu também já não consigo fingir, este por mais que eu queira, sumiu ainda mais e a sensação é que tento esconder que desde que matei meu mundo de exclusão dentro de mim matei na verdade a mim mesma e deixei apenas a casca vazia incapaz de ser preenchida, incapaz de continuar tentando. Sou como uma criança sem seu Dimon, sem sua alma, mesmo assim tudo é tão pesado, eu não consigo mais fingir que posso, e não quero mais tentar poder de verdade, eu estou tão cansada de tentar, tão exausta de lutar, como o ultimo homem vivo do batalhão eu luto em vão, eu sei que não adianta, eu sinto isso como uma verdade absoluta, eu não consigo passar por isso, isso que parece que nunca foi embora, essa dor que parece apenas estar mascarada ainda doí intensamente e ainda me sinto imensamente perdida, não posso continuar tentando, não posso continuar fingindo, não posso continuar lutando uma luta que já começou perdida e então tudo parece sem sentindo.
Levantar da cama, comer, tomar banho, ir dormir no horário nada disso importa, nada disso faz sentido e eu não quero mais que faça, não quero mais fazê-lo, não quero mais, não posso mais, não consigo mais, não posso, eu não quero mais ser forte, eu não quero sair.

(Penso em quando tudo estava bem... Nem mesmo todos os soldados e cavalos do rei conseguiriam colocar meus pedaços juntos de novo)

Megan.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Fomos amigas.




Seu programa favorito no Disney Channel era Zapping Zone, você enganava as pessoas quando ia brincar de bobinho e era a bobinha, ficava no meio e engajava uma conversa e então dizia abruptamente "ok, vamos jogar logo, me dá a bola eu sou o bobinho" com tanta convicção que eu e todos os outros sempre lhe dávamos a bola e automaticamente perdíamos, você amava High School Musical, amava muito você tinha os CDs, sabia as musicas de cor conhecia tudo, você gostava da Gabriela porque era estudiosa como você, você sempre odiou cócegas, sempre comia pão de mel industrializado e tomava suco de caju, levava para a escola Nescal Ball que era muito legal, você tinha uma régua de letras que usávamos para fazer trabalho em cartolinas, uma vez brincando de cabra-cega você capotou dentro de uma barraca da Barbie e não conseguíamos parar de rir, o chão do seu quintal era áspero e mesmo assim brincávamos de escorregar no sabão, brincávamos de Twist e de tantas outras coisas que estão pra sempre cravadas em minha cabeça, me lembro quando ganhou seu cãozinho uma fêmea fofa, eu lembro de todas as partes boas, lembro de toda a nossa amizade, o que eu não lembro foi quando acabou, você tinha que me afastar? Você tinha que agir dessa forma como se eu não conhecesse mais você, eu não sei se foi gradativo, mas de repente você estava longe demais para que eu pudesse te alcançar e agora eu sonho com você, sonho que conversamos e sonho que você me ouve pela primeira vez depois de muito tempo. A verdade é que não sei o que aconteceu, não sei quando foi que nós nos tornamos duas estranhas, duas pessoas que não sabiam nada uma da outra, totalmente alheias, quando foi que começou a contar mais coisas para os outros, você lembra que já foi minha melhor amiga? Você lembra de como nós riamos quando eramos crianças? Você lembra que depois do primeiro dia que nos conhecemos você já me convidou para ir na sua casa brincar? Eu lembro, o que eu não lembro foi se você me esqueceu antes ou depois daquela primeira briga, quando disse que nunca mais queria me ver, quando acreditou em alguém que nós nem conhecíamos, quando acreditou em uma menina que inventou mil mentiras ao invés de acreditar na sua melhor amiga, eu lembro o dia em que soltei seu braço e você saiu correndo para alcançar outra amiga nossa, soube que vocês ainda são amigas, eu me lembro de cada machucado que você me fez e eu continuei ali, mas eu queria saber é se foi antes ou depois de me dispensar sem explicações que você começou a se afastar.
Talvez fosse para acabar ali, não termos sido mais amigas, mas sabe eu gostava de você, você é animada, engraçada, tao inteligente, tão original e talvez por isso mesmo não quisesse ser mais minha amiga. Você ficou todos esses anos mantendo a promessa que não voltaria a ser minha amiga? Você fingiu? Eu me lembro daquele dia onde finalmente nos vimos apenas nós duas sozinhas no shopping e eu pensei "É uma otina chance de tê-la mais perto, talvez se eu lhe contar da minha vida pessoal ela se abra comigo como abre com as pessoas que acabaram de chegar na nossa vida" eu pensei que eu tinha te deixado de fora e por isso também me deixava de fora, mas anos depois eu li sua conversa com essa mesma amiga pra quem agora você contava tudo, alguém que falava mal de você pelas costas, e você disse que foi horrível, que eu só enchia o saco e isso foi crescendo ano após ano, você  dizia coisas tao horríveis, sobre meu modo de agir, sobre meu modo de pensar, sobre a minha depressão e eu penso, por que você fez isso? Por que agiu dessa maneira? Será que  te machuquei tanto um dia que você jurou nunca mais tentar ser minha amiga? Será que você foi um dia?
Juro que não gosto de pensar sobre isso e você sabe que não mantenho contato com mais ninguém, mas não posso evitar agora depois de dois anos de pensar se você também pensa nisso, se pensa aonde foi que tudo se tornou estranho, você lembra de como eram aquelas duas crianças? Você as vezes pensa em mim? Eu  fiquei apenas com as boas lembranças me perguntando se você mudou, se cresceu, se não trata as pessoas mais de um jeito tão ruim, fico me perguntando se você fica se perguntando, se fica lembrando, porque eu lembro e penso que um dia fomos amigas e não sei direito o que aconteceu.


Ps: De todos que deixei para trás você é a unica da qual já senti saudades.